Resumo
Um bom método para criar anúncios não deveria começar com uma tela vazia e a esperança de que alguma ideia brilhante apareça. Afinal, essa lógica transforma a produção de criativos…
Um bom método para criar anúncios não deveria começar com uma tela vazia e a esperança de que alguma ideia brilhante apareça. Afinal, essa lógica transforma a produção de criativos em uma loteria: em alguns dias surgem boas peças; em outros, o copywriter apenas preenche a pauta.
O Método 25 parte de uma premissa mais útil para a operação: ganchos e corpos de anúncio podem ser construídos a partir de fontes diferentes e, depois, combinados.
São cinco caminhos para criar o gancho e os mesmos cinco caminhos para desenvolver o corpo:
Cinco possibilidades de gancho multiplicadas por cinco possibilidades de corpo geram 25 combinações potenciais. Claro, isso não significa que uma operação precise produzir todas elas em cada rodada. Na prática, o valor está em ampliar o repertório de decisões sem depender exclusivamente da inspiração.
Durante o episódio do Segredos da Escala com Amanda Khayat, esse processo apareceu como um modelo mental, e não como um template rígido.
Assim, a pergunta deixa de ser “o que eu escrevo hoje?” e passa a ser “qual fonte vou usar para o gancho e qual fonte faz mais sentido para o corpo?”.
Essa mudança parece pequena. Mas na prática, ela altera todo o fluxo de criação.
Quando uma operação exige novas peças com frequência, pedir ao copywriter que “seja criativo” não resolve muita coisa. A demanda continua chegando, o controle continua saturando e o tráfego precisa de novas hipóteses.
Sem um processo, geralmente aparecem dois extremos.
No primeiro, o time tenta inventar tudo do zero. Isso consome tempo e aumenta a chance de produzir ideias distantes do que o mercado já demonstrou aceitar.
No segundo, o time copia anúncios validados de maneira superficial. Troca o personagem, algumas palavras e o nome do mecanismo, mas mantém praticamente a mesma peça.
O Método 25 cria um caminho do meio: ele usa sinais do mercado sem transformar o copywriter em um copiador de anúncios.
Também ajuda a separar duas decisões que costumam ser confundidas. O gancho pode nascer de uma fonte, enquanto o corpo vem de outra.
Um vídeo orgânico pode oferecer uma abertura excelente, mas não ter estrutura persuasiva suficiente para sustentar um anúncio. Nesse caso, o gancho pode vir do orgânico e o corpo de uma estrutura invisível retirada de um controle validado.
É aí que as combinações começam a ficar interessantes.
O primeiro caminho é buscar conteúdos que já conquistaram atenção naturalmente dentro do nicho.
Isso não significa copiar um vídeo viral e simplesmente colocar um CTA no final. Pelo contrário, o objetivo é entender por que aquela abertura fez alguém parar, assistir ou comentar.
O orgânico pode fornecer:
A estrutura original, porém, ainda precisa ganhar elementos de copy.
Por isso, Amanda cita a inclusão de promessa, prova, curiosidade e chamada para ação para transformar um conteúdo interessante em uma peça persuasiva.
Imagine, por exemplo, um vídeo orgânico que começa assim:
“Por que algumas pessoas acordam cansadas mesmo depois de dormir oito horas?”
A pergunta pode funcionar como gancho porque abre uma lacuna. Mas um anúncio precisa conduzir essa atenção.
O corpo terá de conectar o problema ao mecanismo, apresentar uma razão para continuar e preparar a passagem para a próxima etapa do funil.
Por isso, a pergunta prática para o time é:
O que exatamente validou nesse conteúdo: o assunto, o formato, a primeira frase, a imagem ou a combinação desses elementos?
Sem essa resposta, a modelagem vira imitação estética.
O segundo caminho começa com uma peça que já está funcionando no próprio mercado.
Aqui, a intenção não é esconder a origem da referência. Em vez disso, o objetivo é partir de um controle e tentar melhorá-lo por meio de ajustes conscientes.
No episódio, esse processo aparece ligado a sete alavancas de otimização, incluindo formato e avatar, gancho visual e escrito, frase de aterrissagem, congruência, contexto do avatar e fechamento.
A principal vantagem desse caminho é a velocidade.
Ou seja, como a hipótese central já foi aceita pelo mercado, o copywriter não precisa reconstruir toda a lógica da peça.
Mas existe um risco: adicionar elementos sem saber qual problema está sendo corrigido.
Um controle não melhora simplesmente porque ficou maior, para isso, cada alteração precisa responder a um diagnóstico:
Bater controle não é decorar uma peça validada. É encontrar onde ela ainda deixa dinheiro na mesa.
A estrutura invisível é o caminho mais sofisticado do método e, segundo Amanda, um dos que mais funcionam em seu processo.
Para isso, ela não se limita à ordem dos argumentos, mas sim analisa o papel psicológico exercido por cada linha.
Uma frase pode ser:
Depois de classificar o papel de cada frase, a recomendação é apagar a copy original e escrever uma nova peça apenas a partir das anotações. Isso reduz a tendência de reproduzir a formulação que está na tela e obriga o copywriter a gerar outra criação para as mesmas funções persuasivas.
Por exemplo, suponha que a análise de um gancho resulte nesta sequência:
A nova peça que você vai criar deve preservar essas funções, não as frases.
É esse cuidado é o que separa modelagem de cópia literal.
Você não leva as “paredes” do anúncio original, leva a planta.
Para aplicar, faça três perguntas em cada trecho do anúncio sendo modelado:
Responder “É uma promessa” ainda pode ser uma análise rasa. Ou seja, uma promessa baseada em autoridade opera de forma diferente de uma promessa sustentada por comparação, demonstração ou prova social.
Quanto mais específica for a classificação, maior será a chance de criar algo novo.
Quer entender em detalhes o que existe por trás de um anúncio vencedor? Encontre referências de criativos escalados no Swiper.
A criação do zero é o caminho mais trabalhoso. Mesmo assim, ela não acontece em um vácuo.
Depois de analisar muitos anúncios, mecanismos, formatos, avatares e estruturas, o copywriter começa a combinar referências mentalmente. Um gancho nasce de uma crença observada no mercado; o corpo usa uma sequência argumentativa diferente; o formato vem de outro padrão.
A peça é nova, mas o repertório que a sustenta foi acumulado.
Por isso, “escrever do zero” não deveria ser interpretado como ignorar tudo o que já existe. Significa não partir de uma peça específica como molde direto.
É um recurso particularmente útil quando:
Também é o caminho que tende a exigir mais tempo. No episódio, Amanda diferencia o esforço necessário para criar do zero do trabalho mais rápido de otimizar um controle.
Por isso, cobrar o mesmo volume em todos os modelos ignora essa diferença.
O quinto caminho consiste em adaptar anúncios de outros nichos.
A condição central é a proximidade. Nichos vizinhos compartilham partes do avatar, crenças, dores, formatos ou tipos de solução. Essa semelhança permite preservar boa parte da estrutura enquanto se alteram os elementos indispensáveis.
Um anúncio sobre determinada condição de saúde pode oferecer uma estrutura útil para outra condição com público, linguagem e soluções percebidas semelhantes. Já a transferência entre mercados muito distantes tende a quebrar a congruência.
Amanda também menciona adaptações entre países. Nesse caso, não basta traduzir: diferenças culturais, crenças e referências precisam ser consideradas.
A regra operacional é simples:
quanto mais distante o mercado de origem, maior o volume de premissas que precisa ser revalidado.
Antes de adaptar, revise:
Se várias respostas forem negativas, é mais fácil escolher outra referência.
Leia também: Como modelar anúncios de outros nichos sem perder relevância
Não é necessário preencher uma matriz inteira toda vez que o tráfego pede novas peças.
Comece pelo diagnóstico da operação.
Ou seja, uma rodada de cinco anúncios poderia combinar:
As combinações não precisam ser equilibradas. A matriz serve ao diagnóstico, não o contrário.
Esse ponto merece atenção porque um método pode facilmente virar burocracia. Produzir 25 peças apenas para “completar o Método 25” seria trocar a dependência da inspiração pela dependência de uma planilha.
O processo também confronta uma crença comum: a ideia de que aumentar brutalmente o volume de anúncios é sempre o melhor caminho.
Amanda critica metas como 50 ou 200 peças por dia quando elas empurram copies fracas para o tráfego. Na experiência dela, alguns anúncios podem não escalar. Por isso, a prioridade é reduzir a quantidade de peças incapazes de gerar qualquer venda.
Porém, isso não elimina a necessidade de volume. Afinal, escala exige testes.
A diferença está no que entra na fila.
Antes de liberar um anúncio, o time deve revisar:
O principal ganho do método para criar anúncios está em tornar a criatividade mais administrável.
O copywriter continua precisando interpretar o mercado, entender o avatar e fazer escolhas. O método não executa esse trabalho por ele. Em vez disso, ele oferece cinco pontos de partida melhores do que encarar uma página vazia.
Na próxima rodada, não peça ao time apenas “novos criativos”.
Defina:
A inspiração pode ajudar. Já o processo é o que você consegue repetir amanhã e em todos os outros dias.
E, quando precisar ampliar esse repertório, use o Swiper para encontrar anúncios validados, identificar estruturas e partir de referências mais sólidas.
Boas vendas!