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Como modelar anúncios de outros nichos sem perder relevância

Aprenda a modelar anúncios de nichos vizinhos sem perder coerência, relevância e força persuasiva na adaptação para a sua oferta.

Criativos e anúncios 5 min de leitura 28/07/2026

É possível modelar anúncios de outros nichos quando existe proximidade suficiente entre os mercados. Ou seja, o anúncio de origem e a nova oferta precisam compartilhar elementos como avatar, dor, crenças, soluções conhecidas, formato ou lógica persuasiva.

Quando essa proximidade não existe, a adaptação costuma virar uma troca superficial de palavras. Como resultado, o texto continua carregando premissas que funcionavam no nicho original, mas não fazem sentido para o novo público.

Por isso, a regra prática é direta: quanto mais coisas você precisar explicar, esconder ou forçar para encaixar o anúncio, mais distante está o nicho escolhido.

No episódio do Segredos da Escala com Amanda Khayat, essa modelagem aparece como uma das cinco fontes possíveis para criar ganchos e corpos de anúncio. A ressalva feita por ela é justamente trabalhar com nichos vizinhos, em vez de tentar transportar uma estrutura entre mercados sem relação clara.

O que torna dois nichos vizinhos

Dois nichos não precisam vender o mesmo produto para serem próximos. Ainda assim, eles precisam dividir parte da mesma lógica de comunicação.

Essa proximidade pode aparecer em diferentes pontos:

  • o público possui características semelhantes;
  • as dores são percebidas de maneira parecida;
  • as soluções tradicionais se repetem;
  • as objeções são próximas;
  • o tipo de promessa é compatível;
  • o mecanismo pode ser explicado com uma estrutura semelhante;
  • o formato do anúncio já é familiar para os dois públicos.

Um anúncio voltado para uma condição de saúde, por exemplo, pode oferecer uma boa referência para outra condição quando ambos os públicos convivem com sintomas recorrentes, procuram soluções caseiras, desconfiam de tratamentos tradicionais ou respondem aos mesmos tipos de autoridade.

Porém, isso não significa que basta trocar o nome da condição.

A estrutura pode ser aproveitada. As premissas, por outro lado, precisam ser revisadas.

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Preserve a lógica, não as palavras

Ao modelar anúncios de outro nicho, o ponto mais valioso raramente é a frase exata. É a função que cada parte exerce.

Considere uma estrutura simples:

  1. chamada direta para quem sofre com determinado problema;
  2. rejeição das soluções mais conhecidas;
  3. apresentação de uma alternativa;
  4. curiosidade sobre o mecanismo;
  5. convite para assistir a VSL.

Essa sequência pode funcionar em diferentes mercados. O que muda são as soluções rejeitadas, o nível de consciência do avatar, a promessa possível e a razão para acreditar.

No episódio, surge um exemplo de adaptação entre anúncios de diabetes e Alzheimer. Nesse caso, a ideia não seria apenas substituir “diabetes tipo 2” por “esquecimentos”.

Além disso, também seria necessário trocar referências como dieta low carb e exercícios por soluções reconhecidas pelo público do novo nicho.

É esse detalhe que impede a modelagem de parecer um texto remendado.

Por isso, antes de adaptar uma frase do criativo, pergunte:

O que esta linha está fazendo aqui?

Ela apresenta uma dor? Combate uma solução comum? Gera curiosidade? Cria autoridade? Abre uma objeção? Faz a pessoa reconhecer uma situação cotidiana?

Depois disso, escreva uma nova linha que cumpra a mesma função dentro do contexto do seu mercado.

Revalide as crenças do avatar

Uma das maiores causas de perda de relevância é transportar uma crença que só existe no nicho original.

Uma comparação pode ser muito forte em emagrecimento porque cita uma solução que o público considera poderosa. Em outro mercado, a mesma comparação pode não significar nada.

O mesmo vale para:

  • especialistas;
  • procedimentos;
  • medicamentos;
  • hábitos;
  • personagens;
  • países;
  • ingredientes;
  • soluções caseiras;
  • medos;
  • desejos.

Se o público não reconhece o elemento citado, ele não funciona como atalho persuasivo.

Por isso, uma modelagem bem-feita exige que o copywriter identifique o equivalente funcional no novo mercado.

Não pergunte apenas “qual palavra substitui esta?”. Pergunte “qual referência ocupa o mesmo espaço na cabeça deste avatar?”.

Leia também: Da crença comum à conclusão inevitável: como construir argumentos naturais em copy

Cuidado com mercados que parecem próximos

Alguns nichos dividem o mesmo grande mercado, mas ainda assim operam com lógicas diferentes.

Amanda comenta que adaptar um anúncio de diabetes para emagrecimento, por exemplo, pode não funcionar, apesar de ambos estarem ligados à saúde. Na leitura dela, emagrecimento possui características particulares que dificultam determinadas transferências.

Esse é um bom alerta para operações que classificam referências apenas pela categoria ampla. “Saúde” é amplo demais.

Por isso, o que importa é observar é:

  • como o avatar descreve o problema;
  • quais soluções ele já tentou;
  • qual transformação ele deseja;
  • o que ele considera uma prova;
  • que tipo de promessa parece crível;
  • qual nível de urgência existe;
  • quanto contexto o anúncio precisa fornecer.

Se essas respostas forem muito diferentes, os nichos provavelmente não são tão vizinhos quanto pareciam.

Adaptação entre países também exige coerência

A mesma lógica vale para anúncios de outros mercados geográficos.

Amanda relata ter adaptado anúncios do Brasil para os Estados Unidos, usando peças validadas como ponto de partida. A operação, porém, precisava considerar diferenças entre os países, em vez de fazer uma tradução literal.

Ou seja, o idioma é só uma parte do trabalho.

Referências culturais, autoridades, hábitos, objeções e expectativas também mudam. Uma frase que soa natural no Brasil pode parecer exagerada, vaga ou pouco confiável em outro mercado.

Checklist antes de colocar a adaptação no tráfego

Antes de liberar o anúncio, revise cinco pontos:

  1. Avatar: o personagem e a linguagem combinam com o novo público?
  2. Dor: o problema é descrito da forma como esse mercado costuma percebê-lo?
  3. Soluções conhecidas: as alternativas citadas são familiares ao avatar?
  4. Promessa: a transformação continua plausível dentro da nova oferta?
  5. Mecanismo: a explicação se conecta naturalmente ao produto ou à VSL?

Se o anúncio depende de muitas justificativas para funcionar, volte à referência original e extraia apenas a estrutura.

Modelar anúncios de outros nichos funciona melhor quando a operação usa a peça de origem como mapa, não como texto-base.

Ou seja, a estrutura reduz o caminho, mas a relevância ainda precisa ser reconstruída para o novo público.

Boas vendas!